Era aproximadamente 22 horas, uma multidão se aglomerava em frente a uma casa de muro alto, cor vermelha. O tom da conversa era de perplexidade, e a cada momento gestos agressivos apareciam. Estavam na Rua Augusto Seixas, no Bairro Recreio. Há pouco instantes um furto tinha sido cometido. Uma senhora já de idade que transitava pelo bairro foi surpreendida por um rapaz alto, de pele branca e cabelos curtos, que roubou sua bolsa e correu em disparada. As pessoas visivelmente agitadas discutiam o acontecido e não se conformavam com o roubo.
O mesmo rapaz tinha invadido ainda a casa de muro alto e de cor vermelha, e levado alguns pertences. A dona da casa se mostrava muito horrorizada e chocada com o fato. Todos percebiam algumas lágrimas caindo no rosto da senhora. Alguns rapazes se dispuseram a ir atrás do assaltante e fazer o papel que não cabia a eles. A polícia já tinha sido acionada e em cerca de 20 a 30 minutos estavam no local. Os dois policiais começaram a fazer algumas perguntas para as vítimas e para algumas testemunhas e rapidamente acionaram o rádio da viatura passando informações sobre o suspeito. Quando os policiais colheram todos os dados necessários, saíram em busca do infrator e dos materiais roubados. Algumas pessoas em fim começaram a se mover do local do crime. Aquele enxame de pessoas e o “tsunami” de vozes começavam a sumir. Parecia que homens, mulheres e crianças que ali estavam retornariam as suas rotinas, depois da noite turbulenta.